quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Casos de família e outros

Não consigo mais ver televisão sem rir de cinco em cinco segundos. O problema não está de todo numa programação humorística, que nem tanto ela é, mas sobretudo nos telejornais e programas de auditório. Os jornalistas estão cada dia mais esgotados para mim, porque eu já notei todas (ou quase todas) as manhas.

A velhinha está com cara de sofrimento, saindo do hospital Miguel Couto, com a cabeça enfaixada, e a repórter pergunta:

- Tá sendo difícil pra senhora esperar doze horas para ser atendida?

O que ela espera que a velhinha responda?


- Não, tá bom pra caralho, eu gosto de esperar. Faço palavras cruzadas. Hoje meu colega de fila me ensinou até Sudoku, pois é professor de matemática aposentado do município.

Eu me divirto pensando nessas respostas não-dadas a perguntas óbvias.


Outro dia, numa maratona, um senhor de setenta e dois anos cruzou a linha de chegada. Perguntaram, ao vivo:

- O senhor tá feliz de ter chegado até ao final da maratona?

- Porra!, odiei, aliás, deixa eu fazer uma reclamação aqui ao vivo. Vai todo mundo tomar no cu, entendeu?! Eu odeio correr, e chegar até a linha de chegada é uma humilhação tremenda!

Eu me divirto. Eu me divirto muito.

Nos programas de auditório vespertinos, é ainda melhor. Exploração do problema alheio para fins televisivos, mas eu não me canso de ver. É ótimo. Muito melhor que Casseta e Planeta, Toma Lá Dá Cá etc. É muito melhor.

Tá bom, tá bom, vou contar só mais uma.

“Tudo bem, seu marido te traiu com a sua cunhada, molestou sua filha, é alcoólatra, até já te bateu. Mas você não acha que uma família unida vem em primeiro lugar?”

Olhei para os lados... Não tinha uma mísera alma para eu falar: eu tô maluco, ou essa loira cheia de botox disse isso aí mesmo?

4 comentários:

  1. Huaaaaaaaaahuahuahaua.. Muito bom!
    Esses programas vespertinos são os mais sem noção. Ainda tiro um dia de folga só pra acompanhar. Hoje em dia só consigo dar atenção ao Faustão, o rei das frases infelizes.
    Mudando de assunto; nem me falou sobre esse novo blog heim! E por falar em falar, por onde andas companheiro?

    Abraços

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  2. Cara, não sabes o quanto fico feliz ao ler isso vindo de ti. Me sentia constrangido por gostar de Marcia, Sonia Abrão e outras exploradoras de sofrimento do povo brasileiro, mas agora vejo que tenho companhia.
    Um abraço.

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  3. Guilherme, não sei se lembra de mim. Fui seu colega de classe no período passado, em Prátida de Produção Textual II.
    Cara, achei hilário! kkkk
    Parabéns aí pelo blog.
    Abraço,
    Jefferson.

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