sexta-feira, 17 de julho de 2009

Repeteco Tupiniquim

Será que depois da foto de quarta-feira no jornal O Globo, alguém ainda tem coragem de ser lulista? (Esqueci-me, brasileiro tem memória fraca.) Para refrescar a memória daqueles que não lembram, a foto estampada era a de um Collor extasiado, gozando mesmo, e um Lula no auge da loucura. Pareciam dois internos do hospício de Botafogo.
É engraçado eu estar escrevendo sobre isso, pois tenho exatamente a idade do confronto Lula X Collor nas presidenciais de 1989. Poderiam dizer: mas seu moleque, você não tem nada a ver com isso, nem era vivo para ver o que aconteceu. Sim, mas eu também não estive nos grandes genocídios do século XX para acusar os culpados, excluindo-se, claro, os genocídios dos balcãs e da África subsaariana na década de noventa. Logo, posso afirmar sim que, simbolicamente, a foto dos dois presidentes juntinhos, unidinhos, feito amigos de longa data, marca o fim do governo Lula e aponta claramente para uma eleição de oposição. Quem pode dizer que não? É claro que não será exatamente por isso, pragmaticamente, que o PT perderá a eleição, porém de forma simbólica é o fim.
Podemos até discursar sobre os fundamentos disso. Nos últimos anos, sabe-se muito bem, todo governo vê seu circo desmoronar no final do mandato. No caso, desde FHC, ocorre uma ascendência moral que descamba para o caos no fim do segundo mandato. Acontece de certa forma um movimento pendular que faz eleger-se oposição, quer dizer, é um movimento que remonta à infra-estrutura política da monarquia. E não pára.
Quando Lula abraça Collor (atentem para os simbolismos!), ele abraça a governabilidade de um governo oligarca, mesquinho, retrógrado, que não tem nada que ver com o jogo verdadeiramente liberal e democrata. Lembrem-se disso: no Brasil, a “governabilidade” significa “o que teremos que fazer para que esta merda a que chamamos de governo não desmonte?” E que pesem aí alianças das mais diversas, sem o mínimo caráter ideológico, moral. É a lógica do vale-tudo na orgia da política. A estrutura do Estado brasileiro nos leva a governos autoritários, perdidos, assistencialistas, a congressos vendidos e a uma máquina que sempre está ultrapassada.
Não será a primeira vez em que uma foto dessa ocorrerá. Guardem bem as minhas palavras. A próxima, provavelmente, será de Eduardo Paes e ACM Neto, ou Rodrigo Maia, o que dá no mesmo – como queremos demonstrar.
(Guilherme de Carvalho)